Solidão materna: Senta aqui, vamos conversar sobre!

 1.010 Visitas  25 de novembro de 2020  Kids Brasil
Mãe sentada na beira da cama com a mão na testa frustrada

Bem sabemos que ser mãe é uma alegria na vida de milhares de mulheres. Atualmente, já contamos com vários grupos online de tentantes, nos quais as futuras mamães prezam auxílio emocional umas às outras.

Mas, não romantizemos a maternidade. Ser mãe tende a exigir muito de nós mesmas, não só fisicamente, mas também psicologicamente. Afinal, colocamos um ser humano no mundo que dependerá – por grande parte de sua existência – de nossos auxílios e esforços.

E assim, bem mais do que um momento único e memorável na vida da maioria das mulheres, a maternidade pode requerer das mamães um movimento, quiçá inconsciente, de abnegação de si, gerando assim quadros de extrema solidão.

O desamparo emocional que a gestação pode gerar nem sempre é discutido. Aliás, temos por hábito predizer a maternidade como um processo inestimável e livre de grandes empenhos, esquecendo-nos, muitas vezes, que a solidão materna existe e deve ser pauta em palestras, conversas com amigos e, por que não, deste post. Façamos dela a nossa pauta!

O que causa a solidão materna?

Em linhas gerais, podemos compreender a solidão materna como um processo que alia em si mesmo um conjunto de fatores, mais precisamente de causas. Seria leviano considerar a solidão materna como um evento espontâneo, incausado.

Mão ao lado de filho triste enquanto ele estuda

Alguns precedentes alinham-se com fatores de grande propensão ao processo de alteração de humor e comportamento das mamães, pós-parto. Dentre eles podemos destacar os seguintes:

O desamparo emocional no puerpério

O perpétuo é uma fase de muitas mudanças psicofísicas na vida da mulher. Geralmente, o reconhecemos pelo nome de resguardo, compreendendo 45 dias após o parto. Grandes mudanças fisiológicas ocorrem, como a queda das taxas hormonais e a volta das operações dos órgão internos ao estágio de não gravidez.

Mão segurando bebê no colo com semblante triste

No entanto, a fase do puerpério é um solo fértio para o desamparo emocional materno. Com a desestabilização hormonal, mudanças emocionais começam a ocorrer com bastante afinco. Não à toa, a mulher pode se sentir triste, angustiada, desamparada e ressentida frente à sua nova vida.

As puérperas, agora, existem em um novo cenário, inexplorado. As atenções se voltam ao bebê, e a grande carga de responsabilidade que pesa sobre os ombros não pode ser transferida. Aquele serzinho ali, no berço, faz-se uma extensão da mãe, sem a qual deixaria de ser e estar.

A falta de cuidado consigo mesma

Com a dificuldade de se dissociar do bebê, esquecer de si mesma é quase que inexorável. Às duras penas, a mamãe vai se dissolvendo, deixando as suas vontades, gostos, aspirações, anseios e problemas de lado.

Tudo que lhe é individual passa a ser descartável, acessório e desnecessário. Suprimir-se é quase que natural e orgânico, o que não nos surpreende a solidão sentida. É difícil sentir-se bem quando não se sente inteira.

Mãe sentada no sofá cuidado do filho ao seu lado

O zelo antes impresso em cuidados consigo mesma vai se evadindo, os encontro com os amigos tornam-se escasso e olhar-se no espelho já não é tão fácil assim.

Esquece-se que, antes de ser mãe, ela é e sempre será uma mulher cheia de sonhos e individualidades que merecem atenção, e que não devem se perder dada a gravidez. Muito pelo contrário: a maternidade deveria tornar-se mola propulsora para a expansão pessoal de si mesma.

O sentimento de não pertencimento

Quando assistimos às propagandas em voga na televisão sobre maternidade, é normal um sentimento de desalinhamento do real e do imaginário midiático, seguido de um sentimento de não pertencimento a uma realidade criada com tons de perfeição.

A verdade é que ser mãe é um grande processo. Processo de alegrias, mas também de dores. De realização, mas também de desconsolação. De orgulho, mas também de muito cansaço.

Muitas das vezes, temos que entender que o mundo não irá nos abraçar por sermos mães da mesma forma que abraçamos esta grande responsabilidade. Muito pelo contrário, constantemente temos que passar por situações vexatórias, nas quais as pessoas se sentem incomodadas com a existência dos pequenos.

Se você nunca ouviu ninguém reclamando do choro do seu filho, te olhando torto por amamentar em público ou repreendendo o comportamento do pequeno com ares de irritação, calma… essa hora ainda vai chegar. Infelizmente.

Não obstante, temos o Movimento Childfree, que já conta com milhões de adeptos pelo mundo com vias de proibir a entrada de crianças em estabelecimentos, utilizando como justificativa que a tranquilidade dos clientes deve ser garantida.

Esquece-se assim o nosso papel ético e moral enquanto sociedade com o desenvolvimento infantil, e esquecem-se que muitos pais não possuem alguém com quem deixar os filhos, sobretudo as mães solo, que lideram 39% dos lares brasileiros. Como pertencer, quando se é esquecida? A boa notícia é que há iniciativas para mudar esse cenário.

Como lidar com a solidão materna?

Agora que já elencamos alguns fatores de grande peso que muito podem corroborar para quadros de solidão materna, vejamos como lidar com este momento de forma prática e leve.

Converse com outras mães

Nada melhor do que estar junto de pessoas que passam pelas mesmas questões que você. Encontrar outras mães para conversar pode ser uma grande experiência a te auxiliar neste momento de solidão.

E com a praticidade da internet, você nem precisa sair de casa. Hoje já encontramos alguns sites com fóruns bem bacanas para você trocar algumas figurinhas, como o trocando fraldas e o baby center.

Por mais incríveis que sejam, talvez seus irmãos e amigos não entendam o processo e as dores que você está vivenciando. Por isso a importância de encontrar os seus pares para desabafar e trocar experiências.

Peça ajuda sem medo

Se precisar, grite! Você não precisa e nem deve ficar sozinha. De fato, a responsabilidade da maternidade é intransferível, mas isso não quer dizer que ser mãe exige uma série de vazios e ausências.

Chame os amigos que escolheram se manter na sua vida e converse sobre tudo ou sobre nada, também! Às vezes, só ter alguém ali ao lado, já é mais do que válido.

E uma dica: mesmo que seja mãe de primeira viagem, a sua vida não se restringe somente à maternidade. Logo, está liberado encontrar os amigos e conversar sobre assuntos não relacionados a gravidez, viu?!

Perca quem for, mas não se perca

É muito comum que, com as tarefas diárias focalizadas na criança – seja no trocar fraldas, amamentar, dar banho, brincar, colocar para dormir e acompanhar o desenvolvimento infantil – muitas mães deixem a si mesmas em segundo plano.

Mas, como falávamos acima, ser mãe é uma das insígnias que te vestem, mas não todas. Quem é você? Você ainda é mulher e uma grande profissional repleta de sonhos a serem realizados, além de ser mãe!

Mesmo que perceba que, nessa nova fase, muitas amizades se perderam no caminho, não se perca. Se ache e, se for o caso, reconstrua-se. Sabemos que o processo não é espontâneo e rápido, mas você pode e deve procurar ajuda, principalmente de um profissional capacitado.

Entenda que a melhor ajuda virá de você mesma. Recobrar os cuidados consigo mesma é essencial para se prospectar fora da zona da solidão, pois uma vez consigo mesma, você jamais estará sozinha.

Esperamos que, com essas dicas, você se permita refletir sobre as causas da solidão materna. Se lembrou de alguém lendo este post, mostre auxílio. Se lembrou de si mesma, permita-se ressignificar e pedir a ajuda daqueles que tanto te amam, inclusive a sua própria ajuda.

Nos vemos na semana que vem. <3





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